Quando você desliga seu celular?

Essa foi a pergunta respondida por uma pesquisa do Ibope e da revista Connect.

De acordo com o resultado, a maioria dos entrevistados (64%) desligam o celular quando estão na sala de cinema.

Menos (61%) o fazem no teatro e ainda menos (58%) em reuniões de trabalho.

Quem já frequentou um ou mais desses lugares sabe que os dados combinam com a verdade.

É fácil ser interrompido por um toque de celular, seja uma campainha mais ou menos normal ou um funk ou trecho de uma música do Barão Vermelho.

O que mais surpreende, no entanto, é a percentagem que leva o telefone móvel para o banheiro, durante a chuveirada. Dos brasileiros, 85% não largam o celular no banho. É o índice mais alto entre os divulgados.

A pesquisa, no entanto, não identifica o perfil do consumidor brasieliro com exatidão. Dos entrevistados, 44% têm celulares pós-pagos – os números reais mostram 19% – a maioria dos clientes brasileiros tem aparelhos pré-pagos. Outra informação, no entanto, condiz com o que vemos no dia-a-dia – 91% dos entrevistados consideram o celular o item mais importante para ter sempre consigo.

Adoro celular. Me lembro com nostalgia da época que não o tinha – comprei o meu primeiro aparelho logo depois da explosão da telefonia móvel no Brasil. Antes disso tive um pager, quando era a principal forma de achar alguém e de ser encontrado.

No começo da década, como repórter do caderno Internet do Jornal do Brasil, tive o prazer de conhecer o britânico Richard Barbrook. Professor do Centro de Hipermídia da Universidade de Westminster, no Reino Unido, O acadêmico defende a tese de que os saltos tecnológicos levam à evolução torta de uma nação – normalmente em desenvolvimento.

Um exemplo: hoje, no Brasil, temos mais de 100 milhões de celulares, para 180 milhões de cidadãos. Um belo feito, excluindo o dado já mencionado de que 81% dos clientes têm pré-pagos. Ou seja, usam o aparelho com limitações. Em 2006, havia 42 milhões de telefones fixos no país.

Barbrook defende que, para uma evolução saudável não podemos saltar os degraus tecnológicos, já que trazem embutidos melhorias gerais. Para ele, o Brasil deveria investir, em primeiro lugar, na expansão da telefonia fixa, mais barata e que traz benefícios como o acesso à internet, discado ou em banda larga. Quem não tem um telefone fixo em casa e tem celular pré-pago, vai acessar a internet como? Pelo cabo da TV por assinatura? Wi-Fi? WiMax?

O Brasil é hoje uma nação que cultua o celular, tendo ou não acesso a ele. Como o resto do mundo, o telefone móvel é item indispensável, além de símbolo de status e de moda

.Condições impossíveis de fugir como parte da aldeia global, mas que talvez mostre prejuízos no futuro.

As operadoras de telefonia fixa no Brasil já pensam nos próximos passos – oferecer televisão pelo telefone, por exemplo. Sinal de um mercado partido, como mostra a oferta de velocidades de acesso à internet nas grandes cidades. Nas áreas “ricas”, até 8 Mb. Nos bairros “pobres”, nada. Nem 128 Kb. Retrato da pior distribuição de renda do planeta, de um país que tem sites e profissionais de internet de primeiro mundo, mas distribuição de acesso de terceiro – 22 milhões entre 180 milhões de habitantes.

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