Microsoft comprou a divisão de celulares da Nokia

Primeiro a notícia: a Microsoft anunciou hoje a compra da divisão de celulares da Nokia, por US$ 7,2 bilhões.

A Nokia continuará a existir, fazendo outras coisas (principalmente fabricando equipamentos de rede), mas tudo o que diz respeito a celulares passa às mãos da Microsoft.

Não haverá mais smartphones com o nome Nokia, que pelos próximos dez anos só poderá ser usado em “feature phones” (os aparelhos mais básicos, que nem aplicativos têm).

Dois anos e meio atrás, Nokia e Microsoft fizeram uma parceria – na qual uma se comprometia a usar o Windows Phone, sistema operacional da outra.

Na época, o negócio parecia uma boa. Mas, de lá pra cá, o cenário mudou. Por vários motivos, o Windows Phone não foi a lugar nenhum.

A falta de foco da Microsoft, que se atrapalhou com o Windows 8, a confusão interna típica da empresa e sabotagens praticadas pelo Google e pelo Facebook fizeram o Windows Phone empacar – em apenas 4% do mercado mundial de smartphones.

A compra da Nokia não resolve nenhum desses problemas. Não dá mais foco à Microsoft, não elimina camadas de burocracia, não impede que os rivais continuem a agir contra. Pelo contrário, até.

O negócio lembra a aquisição do Skype – que a Microsoft comprou em 2011 e até hoje não descobriu como usar a seu favor. Steve Ballmer está se aposentando e provavelmente quis deixar algum legado.

Mas é difícil acreditar que a compra seja suficiente para fazer o Windows Phone decolar. Não parece. Até porque a especialidade da Nokia é hardware, não software. E o problema é o próprio Windows Phone – não os aparelhos em que ele roda.

Para a Nokia, o negócio significa o fim. Ela não produzirá mais smartphones com sua própria marca.

E, ao longo do tempo, o que vier a produzir terá cada vez menos cara própria, e cada vez mais a cara da Microsoft – inclusive porque o atual CEO da Nokia, Stephen Elop, anunciou que está voltando para a MS.

Não precisava ser assim. A empresa estava combalida, mas viva. Ainda poderia tentar algumas coisas – quem sabe, aderir ao Android.

Preferiu jogar a toalha, e se jogar nos braços do Windows Phone. Acabou.

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