A dificuldade nas relações técnico-profissionais (Usuário/Analista)

Da série ‘PSICOLOGIA & INFORMÁTICA – A dificuldade nas relações técnico-profissionais

É inegável que a relação Usuário / Analista de sistemas é uma relação instável, onde o usuário, em posição desfavorável, teme perder o emprego, conseqüentemente dinheiro e poder, afinal está repassando ao analista de sistemas todo o seu conhecimento sobre um assunto que aprendeu a duras penas e ao longo de muitos anos de trabalho – e sacrifício -.

Seu conhecimento será “ensinado” a um computador que vai democratizar um saber tão sofridamente adquirido e passar a fazer este trabalho muito mais rápido, sem ficar doente, sem tirar férias, etc.

O analista de sistemas, na visão deste mesmo usuário, é a pessoa designada e capaz de “sugar” este saber, transferindo-o para a máquina.

A falta de sensibilidade do analista de sistemas a respeito das inúmeras expectativas do outro, tais como melhoria da qualidade de trabalho e melhoria nos resultados dos processos funcionais com a utilização de tecnologia, que extrapolam as expectativas puramente técnicas interferem, muitas vezes, de forma negativa nos resultados do processo de desenvolvimento de sistemas, mais notadamente no processo de entendimento das necessidades do usuário.

Este encaminhamento distorcido pode comprometer as relações entre o profissional de sistemas e o seu interlocutor, culminando na mútua insatisfação e na inadequação da solução desejada por ambos.

Os impasses que daí resultam afetam tanto ao usuário quanto ao analista de sistemas. Neste caso específico, não estamos falando apenas de uma relação entre um analista e um usuário, pois em situações reais, equipes de analistas de sistemas trabalham com equipes de profissionais para a modelagem do sistema a ser desenvolvido. Estamos, porém, em uma situação onde pessoas estão reunidas em grupos de trabalho.

“Um grupo consiste de duas ou mais pessoas que interagem e partilham objetivos comuns, possuem uma relação estável, são mais ou menos independentes e percebem que fazem, de fato, parte de um grupo.” (HALL, 2000).

Mais especificamente estamos lidando com o que se define como Sociogrupos

“aqueles cujas relações entre os membros existem principalmente em função de os membros trabalharem juntos em vista a alcançar algum objetivo (Time profissional)” (HALL, 2000).

As duas definições combinadas, uma vez que sociogrupo é um sub-conjunto de grupo, nos leva à reflexão sobre a forte influência do individual no comportamento do sociogrupo, neste caso específico. Casos de não conformidade, requisitos incompletos, prazos não adequados, uso de linguagem excessivamente técnica, falta de comprometimento de ambas as partes (analistas e usuários), todas essas causas apontadas na pesquisa, nos soam como um processo individual, calcado nos mecanismos descritos, e que irão atuar na dinâmica natural do grupo influindo diretamente nas relações e na estrutura de poder.

A posição de destaque do analista de sistemas nesta estrutura de poder favorece o aparecimento de ruídos dentro do processo de desenvolvimento de sistemas. A utilização de instrumentos técnicos de observação e compreensão podem favorecer ao processo de assimilação, bem como minimizar os mecanismos de defesa, comuns nas relações humanas e, consequentemente, nas relações profissionais.

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