A dificuldade nas relações técnico-profissionais (Conclusão)

Da série ‘PSICOLOGIA & INFORMÁTICA – A dificuldade nas relações técnico-profissionais

Conclusão

O profissional de sistemas (analista de sistema, programador, etc) deve ter a certeza de que está escutando o que o seu cliente diz, deve assegurar que este conhecimento foi passado de forma clara porém deve se lembrar que a passagem de conhecimento jamais será definitiva e ou completa.

Usar um método, porém jamais esquecer a relação humana presente naquele momento da transferência de conhecimento.

A preparação para este momento é árdua pois os profissionais da área de informática têm uma formação essencialmente voltada para a técnica, para os métodos e ferramentas de construção de sistemas, assim a formação humana, a escuta, o comportamento perante o interlocutor ficam relegados a um segundo plano, sendo que em alguns casos a plano nenhum.

É Importante, neste momento, rever o texto “Por que é tão complicado desenvolver sistemas?” e o resultado da pesquisa realizada entre profissionais e usuários de informática, para se ter uma melhor compreensão do restante deste texto.

Uma análise estratificada dos resulta apresentados no texto citado nos mostra que 49% dos profissionais de informática apontam a dificuldade de entendimento da necessidade do usuário aliados à sua própria incapacidade de lidar com a complexidade destas necessidades como pontos principais entre os problemas enfrentados pelos analistas de sistemas no desenvolvimento de sistemas de computador.

Os resultados obtidos com os usuários mostram que 67% desses profissionais apontam a linguagem “muito técnica” dos analistas de sistemas aliados à própria incapacidade dos usuários de exprimir suas necessidades, resultando em especificações informadas aos analistas de sistemas “totalmente distorcidas”.

Uma certa dose de “narcisimo” por parte dos analistas de sistemas foi apontada por 13% dos usuários entrevistados que também se sentem desvalorizados em seu trabalho em 11% das respostas, além disso, 10% dos analistas apontaram a “Falta de comprometimento do cliente” como possível causa para o fracasso nos projetos de desenvolvimento de sistemas, falta de comprometimento que pode ser apenas um reflexo ou uma relação de causa e efeito dos resultados anteriores. Por sua vez, os usuários apontam uma possível “Falta de honestidade” dos analistas, em 17% das respostas, como um fator relacionado ao fracasso nos projetos.

Os resultados nos remetem a uma primeira conclusão de que existiria uma busca idealizada de algo que poderíamos chamar de “Esperanto cibernético” (WIENER, 1978), ou seja, uma linguagem universal que resolveria definitivamente os problemas de comunicação entre profissionais de informática e usuários de desenvolvimento de sistemas para computador, todavia, embora esta conclusão seja parte da conclusão final, outras variáveis estão envolvidas neste processo de interação em busca do entendimento de necessidades e desejos latentes.

Isto será tema de um próximo artigo…

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Ricardo Portella é fundador do portal RAFROM – Núcleo de Estudo e Treinamento em Linguagem e Tecnologia
Currículo Completo

Referências biliográficas
DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo : Martins Fontes, 1996
FREUD, S. Análise terminável e interminável– Sigmund Freud; tradução, RJ : IMAGO, 1997-1
HALL, Calvin S. et al. Teorias da personalidade. Porto Alegre : Artes médicas sul, 2000
OLIVEIRA, Rynaldo. Manual de orientação vocacional. São Paulo : Vetor, 1995
WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade – o uso humano de seres humanos. São Paulo : Cultrix, 1978

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