'Fake como le gusta' – Depoimento de um leitor verdadeiro

Participação especial do leitor BlackPau18
Nada como um bom papo :-).
Penso eu q vou chover no molhado, mas já que o debate é livre, lá vou eu.

Até um dia desses não sabia o que significava ‘fake’. Um amigo meu tinha um e me explicou o que era.

Descobri que há muito tempo atrás eu tinha um fake no batepapo do UOL… rs. Na verdade eu tinha uma “missão”: provar que uma pessoa mesmo com um nick (o apelido, que é uma espécie de fake) exculhambado – pra não dizer imoral – podia ser uma pessoa legal :-).

Isso porque se eu entrava com meu apelido “normal” todo mundo me cumprimentava, mas se eu entrasse com algo tipo “tarado do ovo roxo” (!!) ninguém nem chegava perto. Tentei dialogar e convenci algumas pessoas dessa possibilidade.

Mas era outra época, nem todo mundo tinha PC em casa e tinha que acessar do trabalho pelo Netscape, fazer buscas no Cadê e o Kazaa era uma coisa de outro mundo. Existia uma inocência de uma certa forma. É como numa daquelas festas a fantasia, medievais; um baile de máscaras.

Hoje, com o mundo mudado, o fake é uma arma perigosa na mão dos vilões :-). Como diria Djavan em “Lugar Comum”:

“Ouvido aqui ouve de tudo,
menos sobre amor de mãe
Aqui tá bom pra mentir
Lugar assim ninguém nem tá aí
Aqui eu posso ser quem sou,
ou ser ator…”

Muita gente tem fake por muitos motivos. Não sou o mestre dos magos do assunto, mas os principal motivo parece ser a timidez que diminui (ou se extingue) com a dose maior de segurança baseada na máscara que o fake cria. Ou seja, com o fake é possivel que eu diga e faça o que não teria coragem ou até oportunidade (não tem outro termo?) na vida real.

Mas também tem a ver com querer ser aceito por uma sociedade e não ter poder gerencial sobre sua vida pra tanto. E também com se conhecer, se ver do lado de fora do corpo (!!!). Mas creio q, na maioria das vezes, o fake está relacionado a sexo.

Sexo é intimidade, talvez o auge disso. Aí a pessoa tem um namorado, uma esposa e os ama, mas não quer destruir isso por conta dos seus caprichos, desejos animalescos. Alguns nem sabem bem se querem um “extra”. Querem descobrir. Outros acham que é uma forma de aumentar o número de conquistas pra sua lista de “eu já comi…” ou “eu já dei para…”. Quer queira ou não é uma forma de se descobrir, dependendo da forma que você use.

E fake pra mim não me parece relacionado com “eu não mostrar a cara”. Vejo como um jeito de mostrar só o que se quer mostrar. Posso ter meu perfil real dócil só com o que vai chamar as pessoas pro meu lado, com meu nome real, fotos minhas, da família e do meu trabalho mas, no íntimo, posso ser um mau caráter e não mostrar isso. Epa, não sou… rs!!! calma aê.

Isso me leva a crer que tem a ver ainda com uso com bom senso.
Afinal o fake, o falso, se baseia numa coisa real, um sentimento de uma pessoa real. Bom ou ruim, bonita ou feia, tímido ou sacana, é uma pessoa real que ali está (até agora, enquanto os computadores não dominam o mundo literalmente). Então existem consequências – boas e más.

Digo que viver de fake é que não rola. Mesmo sabendo que, como diria Paulinho Moska, “eu falso da minha vida o que eu quiser”.

BlackPau 18
Fake como le gusta

4 Comments

  1. Daii kümmer 27 de março de 2011
  2. Blackpau 10 de novembro de 2009
  3. Nana 3 de novembro de 2009
  4. edien onad 3 de novembro de 2009

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